Empatia. Sabes o que significa? Segundo o velho e bom Aurélio quer dizer "capacidade de se identificar com outra pessoa e compreendê-la emocionalmente"! Já nas aulas de Medicina ouvimos os professores falarem imúmeras vezes que devemos ter empatia pelos pacientes, o que para eles significa colocar-se no lugar dos pacientes , imaginar dua dor, ter ideia do seu sofrimento. Bem, é sobre esse lado da empatia que quero falar hoje!
Ontem a tarde viajei com o Brasil para Rio Pardo, onde vencemos o amistoso contra o Riopardense por 2 x 1. Na volta do jogo passamos pela estrada na qual em 15 de janeiro de 2009 um grave acidente vitimou fatalmente 3 integrantes da delegação xavante. Para quem não sabe, faço estágio no Departamento Médico do Brasil desde 2009, ou seja, embora eu não tenhas estado naquele acidente, ele mudou bastante minha vida! Desde o velório dos que faleceram até o último dia com atletas internados no Hospítal - mais de 2 meses depois do acidente - ouvi diariamente relatos claros e impressionantes do pavor que tomou conta de todos naquela noite. Aliás, ainda hoje escuto algumas histórias sobre aquela fatídica noite narradas por pessoas que ainda fazem parte do Brasil.
Noite passada, ao passar pela curva descrita, a sensação que tive foi de que todos os relatos se uniram em minha mente e ganharam, corpo, ganharam forma, tornaram-se realidade! E por alguns instantes eu pude ver nitidamente tudo que aconteceu naquela noite! E como foi triste! Como foi doloroso! Colocar-me no lugar de quem esteve naquele ônibus me fez ver o quão horrível deve ter sido a sensação do ônibus capotando, da dor de quebrar uma perna, da dor de quebrar um braço, da enorme tristeza de constatar o óbito de um colega. Tudo isso passou pela minha cabeça em nossa viagem de volta! E junto veio a lembrança de que por muito pouco eu não fui naquela viagem em 2009. Era um jogo amistoso contra o Santa Cruz, perfeito pra minha iniciação no mundo do futebol profissional. Mas o jogo que estav marcado para uma terça-feira foi transferido para quinta-feira, dia em que havia uma cirurgia importante onde eu seria o auxiliar do cirurgião. Bah...lembro que fiquei muito "de cara" por não poder viajar com o Xavante. Aquele era o meu time do coração e poder viajar fazendo parte da delegação e não só como torcedor era um sonho.Quem poderia adivinhar que o sonho, por um detalhe, não transformar-se-ia em um pesadelo?
Lamentei muito, muito mesmo, a moprte do Milar, do Régio, do Giovane. Também fiquei muito chateado pelas lesões sofridas por todos naquele ônibus. Mas rezei muito a Deus agradecendo o fato de ele ter me feito ficar em Pelotas naquele dia! E hoje volto a agradecê-lo e pedir muita paz e aconchego para os que partiram e também para suas famílias que aqui ficaram, sentindo muita falta deles.
Ao meu lado na viagem de ontem estava o Cléber Gaúcho, jogador em 2009 e auxiliar técnico neste ano. Ele é uma pessoa de um coração enorme e que ficou muito abalado com toda aquela situação que ele viveu. Parei e observei-o. Seus olhos tinham uma mistura de teristerza profunda e comoção. E nessa hora tive a certeza absoluta de que por mais empatia que tenhamos, por mais que imaginemos o tamanho da dor e do sofrimento alheio, jamais iremos senti-los com a mesma intensidade de quem os vive.
Até!
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